Autor
Álvares de Azevedo
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, nascido em São Paulo em 1831, foi um dos mais brilhantes e precoces expoentes da segunda geração romântica brasileira, um período marcado pelo intenso subjetivismo e pela influência do "Mal do Século" europeu. Sua curta vida, encerrada aos vinte anos em 1852, não impediu que deixasse uma obra de profunda ressonância. Estudante de Direito em São Paulo, na efervescente Faculdade do Largo de São Francisco, mergulhou nos ideais românticos, explorando a melancolia, o pessimismo, a idealização feminina e a obsessão pela morte, temas que encontraram eco na juventude da época. Sua principal contribuição literária reside na poesia de *Lira dos Vinte Anos*, publicada postumamente, onde a dualidade entre o idealismo angélico e o cinismo boêmio se manifesta com rara intensidade. Além da poesia, legou-nos a prosa gótica de *Noite na Taverna* e o drama *Macário*, obras que revelam seu talento para o fantástico e o macabro. A despeito do tempo, suas palavras ainda ressoam hoje pela sinceridade com que abordou as inquietações existenciais da juventude, a busca por sentido, o desencanto e a paixão, sentimentos universais que transcendem épocas. Ele capturou a essência de uma alma em conflito, tornando-se um símbolo da sensibilidade romântica. Que o leitor, então, se permita mergulhar nas páginas desse jovem poeta que, mesmo em tão breve existência, soube eternizar a complexidade do sentir.
Frases
Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se esgota, Travesseiro não há como teu pe...
— Álvares de Azevedo
Respiro o vento, e vivo de perfumes No murmúrio das folhas de mangueira; Nas noites de luar aqui descanso e a lua enche de amor a minha este...
— Álvares de Azevedo
Sou o sonho de tua esperança, Tua febre que nunca descansa, O delírio que te há-de matar!
— Álvares de Azevedo
Invejo as flores que murchando morrem, E as aves que desmaiam-se cantando E expiram sem sofrer...
— Álvares de Azevedo
Deixo a vida como deixo o tédio.
— Álvares de Azevedo